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Sem Controle Fiscal Brasil Pode Perder a Âncora Nominal

O tripé macroeconômico brasileiro de câmbio flutuante, metas de inflação e superávit fiscal possibilitou que o Brasil fosse paulatinamente melhorando seu rating nas agências internacionais, fazendo com que investimentos e empresas passassem a apostar no Brasil. Houve, com isso, uma aposta internacional no crescimento e desenvolvimento brasileiro, que parecia ter deixado para trás sua condição de sempre a economia do futuro.

Até 2008 por mais que se critique o governo do PT, a dupla Lula e Meirelles, mantiveram intactos os pilares dessa política macroeconômica. E mais, durante o governo Lula houve uma queda sem precedentes da trajetória da desigualdade de renda.

Depois de 2008, com a entrada do país na crise econômica, houve uma guinada na trajetória econômica que passou a se descuidar do lado fiscal e sem ele, não há como fazer uma política monetária ativa e confiável. De lá para cá, apenas assistimos reprises. Um esforço do governo federal de tentar trazer de volta o crescimento na base dos incentivos fiscais e intervenções na economia. Resultado, o abandono do superávit fiscal fez com que os investidores e empresários perdessem a confiança na economia, mas depositassem todas suas fichas nas benesses do governo, incentivando a corrupção e inapetência da gestão econômica, o que fez com que o BNDES passasse a distribuir o bolsa empresário e financiamentos subsidiados a grandes investidores e empresários como Eike Batista.

A grande realidade é que existe uma guinada ideológica com a subida do Mântega no controle da economia. Sem a verdadeira autonomia do Banco Central, porém nem com autonomia, o Brasil assistiu na prática o que é o PDE (princípio da demanda efetiva) que se preocupa mas em incentivar a demanda, uma vez que a oferta dado as expectativas criadas se ajusta a ela. Portanto, o crescimento deve ser implementado, segundo esta teoria, por incentivo a demanda agregada. E deu no que deu! Crescimento para dentro, e fechamento econômico. 

Agora, os juros estão em 9.5%, fazendo com que a taxa de juros reais subam para 3.5%. Os juros reais dos EUA estão ainda próximos de zero. Como conciliar então essa diferença? Ela se dará via valorização do câmbio, o que pressionará a economia para se fechar ainda mais. Estamos no meio de um círculo vicioso, e espero sairmos o quanto antes.

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