Pular para o conteúdo principal

Falência do nosso sistema penal

A discussão sobre a redução da maioridade penal é essencial para que possamos levantar outros pontos que vão ao encontro da melhoria da finalidade do sistema penal brasileiro. Graças à superlotação, nossas prisões viraram fábricas de vagabundos e de criminosos, ainda mais perigosos. 

A questão de muitos presos para poucas prisões perpassa todo e qualquer problema, e deve mover qualquer política pública que vise a melhoria do sistema prisional. Se a finalidade primeira do sistema prisional é manter o prisioneiro encarcerado durante a pena proposta, não se pode colocar nesta equação presídios superlotados.

Essa incongruência se deve pelo fato de que junto com a superlotação advém a falta de controle, e essa é a porta dos pequenos, médios e grandes delitos que continuam a acontecer, mesmo dentro de uma cadeia, o que é paradoxalmente preocupante.

O Brasil no período da Copa do Mundo, em uma época de restrição da demanda mundial, dada à crise de 2008, resolveu expandir as sedes, para que mais estados pudessem promover jogos e movimentar sua economia, apostou erradíssimo no que tange a melhor alocação de recursos escassos. 

Em um país aonde presos por crimes hediondos como assassinatos, estupros, latrocínio, feminicídio e etc saem por bom comportamento cumprindo 1/6 de suas penas. Ou seja, na prática, temos assassinos cumprindo até 5 anos de prisão, as vezes um pouco mais. Essa pena em países mais razoáveis são para crimes como assaltos, roubos, tráfico e etc. Crimes que envolvem, então, o patrimônio e não a vida de pessoas.

Sendo assim, nossa sociedade está refém de criminosos que dado o baixo custo punitivo, reiteradamente cometem os crimes mais bárbaros e são soltos, vezes consecutivas. A taxa de reincidência é altíssima, exatamente porque, em primeiro lugar a punição é baixa em virtude dos ganhos com a vida do crime. É preciso mudar urgentemente esse quadro, e não vamos cair na panaceia do que falta neste país é educação, pois até nas escolas crimes são cometidos contra professores, alunos e funcionários. O que falta é uma política de segurança digna, que combata a superlotação, argumento utilizado para por esses marginais em liberdade precoce, fazendo os cidadãos de bem reféns.   

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O elefante e o circo e os investimentos em educação

Para cada 1 real investido, se tem como retorno R$ 4,88. Talvez uma das tarefas mais dispendiosas de um dono de circo seja treinar um elefante. O animal é extremamente forte, pesado (óbvio), come muito e difícil de lidar. Contudo, quase todo circo possui um elefante em seus números de adestramento. O porquê não é difícil de entender. O animal vive mais de 70 anos, e possui a maior memória entre os mamíferos terrestres. Portanto, a pesar do elevado custo de ensiná-lo, e de alimento e etc, o investimento inicial uma vez sendo implementado, o paquidérmico renderá 70 anos de shows impecáveis. A comparação pode parecer esdrúxula para alguns, mas o mesmo acontece ao ser humano, principalmente na primeira infância. A nossa capacidade de aprendizado é muito grande entre 2 e 5 anos, e podemos ter nossas habilidades cognitivias e socioemocionais impactadas de maneira bastante significativa. Obviamente não se faz mister que todas as crianças tenham pré-escola, mas o estimulo diário ao co...

Sólon o primeiro "inflacionista".

O comércio internacional sempre foi o motor da economia mundial. Em um mundo onde viver em comunhão é garantia de sobrevivência, os humanos passaram a definir seus territórios, plantando, colhendo e produzindo seus próprios alimentos, conseguindo com isso fundar os primeiros povoados. No entanto, assim que as primeiras cidades foram fundadas, o comércio passou a ser rotina constante, dado que nem sempre se consegue produzir tudo o que o desejo alcança. Na Atenas do séc. VI a.c., por exemplo, haviam dois grupos de produtores mais ou menos organizados, os primeiros produziam azeites e vinhos, os segundos grãos em geral, principalmente trigo. Os primeiros compravam os grãos em troca dos vinhos e azeites produzidos. Até que em um determinado momento, a produção de grãos passou a rivalizar com agricultores do leste europeu. Permitindo que os produtores de azeite passassem a importar grãos ainda mais baratos. Esse fato literalmente quebrou a dinâmica econômica dos plantadores de grão...

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Marcadores