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A previdência como uma família

O conceito familiar hoje está se expandindo de tal forma, que já li definições de casais, que moram separados, não tem filhos e formam uma família. Bom, esquecem que a ideia de expandir um conceito ao invés de fortalecer, apenas o enfraquece. Digressões a parte, o assunto que gostaria de abordar é o sistema previdenciário. Ao contrário do que parece, é uma invenção recente, data do final do século XIX início do século XX. No Brasil surgiu em 1888 para os funcionários dos correios - estes mesmos cujo fundo de pensão atualmente está virtualmente falido graças a gestão à brasileira costumaz de cada dia.

Utilizando este conceito, a previdência surge na intenção de que os idosos não dependam da bondade dos filhos. Ou seja, se criou uma lei que os idosos terão vencimentos garantidos pelos que agora trabalham. É como se em um família com 2 avós, 7 filhos e 5 netos. Os filhos pagassem uma pensão para os pais. Note que os filhos terão, também, que dispor de recursos para garantir educação dos seus (os netos), além de comida e saúde para todos. Ou seja os 7 trabalham pelos 14.

O que se percebe agora é que quando chegar a vez dos netos virarem filhos, a estrutura familiar será: 2 bisavós, 7 avós, 5 filhos e 3 netos. Ou seja, os 5 filhos de agora terão que trabalhar pelos 17! Bem como garantir uma educação que promova um aumento de renda tamanho, que no futuro, seus 3 filhos consigam sustentar toda essa estrutura. 

No Brasil a produtividade do trabalho se encontra parada desde 1970, o que indica que a conta não fechará. Hoje a conta fecha pois ainda estamos no primeiro quadro, em que 7 trabalham pelos 14 e obviamente essa estrutura gera um déficit ano a ano, em que somado toda a estrutura federativa brasileira, dá uma conta de quase 9% do total produzido no país. 

O pacto federativo é nada menos do que uma regra de como as gerações (sobrepostas) irão dividir o total produzido por quem hoje está na ativa. Não existe milagre - pelo menos não há mais de 2000 anos - de multiplicar o que está posto. Não há argumentos contra a escassez, a não ser que tudo é psicológico, e que não existe fome, é apenas uma construção social - frase que está na moda, mas mais na moda ainda é achar que a civilidade hoje garantida é perpétua e intocável, principalmente em uma sociedade onde a noção de escassez ainda não foi aprendida..

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