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Estado Brasileiro: como não amá-lo

Parece que muitos ufanistas inveterados estão cada vez mais se deixando levar pela máxima do tribalismo. Minha tribo, minha família, minha vida e minha justiça. Não há como argumentar contra. Mesmo com todos os recentes descalabros cometidos. Aliás, afrontas à democracia e ao povo são perenes no Estado Brasileiro, a única diferença é de que lado vem Se for do meu, eu defenderei e fingirei que não vi.

Parecem que estão todos com sono, dormindo. Segundo Cervantes "a dormir, nem tenho temor nem esperança, nem pena nem glória; e bem haja quem inventou o sono, capa que encobre todos os pensamentos humanos, manjar que tira a fome, água que afugenta a sede, fogo que alenta o frio, frio que mitiga o ardor, e finalmente moeda geral com que tudo se compra, balança e peso que iguala o pastor ao rei e o simples ao discreto. Só uma coisa má tem o sono, segundo tenho ouvido dizer: é parecer-se com a morte, porque, de um adormecido a um morto, pouca diferença vai."

Sendo assim, esse sono tão gostoso, cega e tole o raciocínio. Impede uma visão crítica e menos apaixonada. Desnuda a razão e a transforma em uma catarse de sentimentos. E tal tempestade recai raivosamente no contraditório.

A questão peremptória é simples, o Estado brasileiro promove o pior retorno dentro de 30 países sobre o pagamento de impostos. É um dinheiro literalmente jogado fora, principalmente para a parcela mais pobre da população. Eles são os que percentualmente mais contribuem, dado a alta carga de impostos indiretos e decorrentemente regressivos. Temos um Estado que promove concentração de renda, instabilidade econômica e ineficiência alocativa. Uma antítese dos princípios constitucionais que deveriam ser perseguidos. Está na hora de acordar.

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