Pular para o conteúdo principal

Incesto: Aumento de Preços e Aumento Salarial

Li um artigo que remete a perigosa relação entre aumento salarial e recrudescimento inflacionário. Como se uma coisa necessariamente implicasse na outra. A ideia apesar de conter lógica casualista, de fato não necessariamente precisa acontecer.

A inflação nada tem a ver com aumento de preços. Os preços sobem por causa dela. O mesmo acontecem com os salários, que sobem por causa da inflação. Mesmo a regra do ajuste salarial, que reajusta o salário mínimo segundo uma média do crescimento dos últimos dois anos mais inflação, onera um país que cresce pouco, exatamente porque sua inflação é elevada. 

Os salários sem regulamentação crescem na mesma proporção do aumento da produtividade. Logo, políticas que visem aumento ou ganho salarial necessitam debruçar em como aumentar a produtividade dos trabalhadores. Não se pode esperar que alguém aumente sua produtividade dando-lhe aumento salarial. Uma vez que trabalho pode se tornar um bem inferior, um aumento de salário pode vir até reduzir sua produtividade ou suas horas de trabalho ofertadas.

Culpar o aumento do salário mínimo pelo recrudescimento inflacionário é algo irreal e ao mesmo tempo perigoso, uma vez que causa um perigoso sentimento de que a inflação é algo necessário. O que é uma grande mentira. Só existe um lugar aonde se cria inflação, no mesmo lugar que se cria dinheiro. A inflação é simplesmente o resultado do aumento da oferta de moeda. E a pressão para esse aumento se deve, de forma preponderante, por uma política fiscal descontrolada.

Por fim, tanto aumento salarial quanto aumento de preços são filhos da inflação. E, esses aumentos, apenas servem para corrigir as perdas promovidas por essa mãe, que além de gerar instabilidade nos preços, promove uma distorção na distribuição de renda, piorando a vida daqueles que não possuem mecanismos de se proteger dela. Os mais pobres.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Porte de Armas: equilíbrio pareto ineficiente

A segunda emenda americana data de 1791, ou seja, final do século 18. Nessa data, as armas existentes não passavam de 1 tiro por vez. A invenção do revolver ocorreu em 1836 por Samuel Colt. Logo, a ideia do uso de armas para proteção e utilização para fins recreativos se deu em um contexto muito diferente do atual, onde armas como metralhadoras automáticas, permitem facilmente mais de 100 disparos com uma única arma sem a necessidade de recarregar. As armas são um importante instrumento de auto-defesa. Principalmente em um contexto no qual a segurança e a vida das pessoas estão à mercê de sociopatas e criminosos. Contudo, as armas que são utilizadas para a defesa à vida, podem ser utilizadas para ceifá-la. Para se ter uma ideia, olhe em baixo o perfil de armamentos que existiam na época da liberação das armas e analise e compare com os padrões de armamentos modernos. As duas imagens mostram um contexto totalmente desconexo um do outro. Enquanto que um indivíduo armado...

Abaixo ao preço da gasolina e pela liberação da maconha

Tenho visto dois movimentos que vão de encontro ao que proponho no título deste artigo. Em um país que apresenta dimensões continentais a gasolina consegue ser mais barata no Ceará, que não é centro produtor, do que no Rio de Janeiro, que também é mais alta do que em Piauí, Paraíba e Pernambuco. Ainda dizem que os preços são os grandes vilões da Petrobrás. Na realidade a Petrobrás é o grande vilão dos preços. Ela possui monopólio da produção, do refino, da venda, e agora, paulatinamente vai conquistando cada vez mais espaço na distribuição de gasolina. Mas calma gente, é pelo bem do Brasil! Mais da metade do preço da gasolina é de impostos. 84.0% para ser preciso! E ainda querem aumentar o preço pelo bem da nossa Estatal Mãe. Na realidade, nenhuma mãe que se preze iria ficar quieta se o seu leite fosse taxado de forma tão alta, e seus filhinhos!! Mas, no caso do Brasil, precisamos parar de enxergar a Petrobrás como se fosse um patrimônio particular nosso ou da nação, ela é um...

Marcadores