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Mais do Mesmo: Ressuscitando o enterro das "Estatais"

As empresas Estatais que possuem ações negociadas na Bolsa de Valores chamadas de empresas de capital misto e que o Estado possui seu controle acionário estão sofrendo um ataque desde 2011 parecido com o que aconteceu nos anos 80 com os desdobramentos da crise do petróleo, detalhe, o cenário é bastante parecido, só que muito mais sofisticado.

Nos anos 80 com a crise da dívida dos países emergentes, ninguém queria emprestar dinheiro para países insolventes como o Brasil, contudo, suas empresas empresas estatais apresentavam ainda um certo poder de endividamento, sobretudo pelo colateral que poderiam oferecer como seguro. Sendo assim, esse recurso foi amplamente utilizado pelo Governo para saldar suas dívidas e garantir que a economia não sofresse uma eminente moratória. A decorrência desta política foi o adiamento de um ajuste fiscal necessário, e, mais maléfico ainda, a quebra das empresas estatais, que foram, na década de 90, vendidas, porém, por preços irrisórios.

Hoje, temos um cenário parecido, no entanto, não apresentamos mais dificuldades para o endividamento externo, porém, por pressões internas, esse subterfúgio teria um custo político tão alto, que o ministro da fazenda, com certeza, descarta esta hipótese. Mas, apresentamos uma situação fiscal, novamente, difícil, e pior, em um momento de engessamento das contas, pois, grande parte dos gastos públicos já está comprometido, vis à vis, os vultuosos gastos públicos com obras de embelezamento de estádios e etc. O que fazer? Subir impostos? Hum...acho que não, né? Olha como anda a pressão popular.

A saída será a que foi feita no ano passado, só que com um teor muito mais pernicioso. As contas públicas do ano passado apresentaram um superávit primário de 2,38% do PIB sustentado por dividendos das empresas públicas recordes, que beneficiaram o maior dos acionistas, o próprio governo. Mesmo empresas como a Eletrobrás que amargou prejuízo em 2012 de 10 bilhões, distribuiu dividendos no montante de 800 milhões, financiados por empréstimos do BNDES, o que é um verdadeiro contrassenso.

Ou seja, o executivo utilizou empresas públicas para fins eleitoreiros e que não passam nem perto da razão, missão e objetivos das empresas. Esse ano a promessa é que será feito mais ainda, e o mercado que não é bobo nem nada, passa a adquirir as ações dessas empresas, mesmo tendo, muitas delas, prejuízos recordes. O resultado disso é que o Governo acaba inflando o preço das ações, e minando a solvência de suas empresas. Quando esta política acabar, e não é que tenha prazo mas tem limite, as ações irão despencar, e mais uma crise na Bolsa brasileira irá ocorrer, só que dessa vez a culpa não poderá ser imputada no cenário internacional. Pois, o pai da criança está sentado em Brasília.

Conclusão, é preciso por fim nessa política desmedida de utilizar as estatais como fonte de financiamento fiscal. Vende-se a ilusão de que as empresas pertencem ao povo, mas na realidade elas são empresas privadas nas mãos de partidos políticos que defendem sua permanência no poder à qualquer preço.

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