Pular para o conteúdo principal

Não aceitem o cerceamento do Legislativo

É normal que em uma democracia o Legislativo aprove leis que gerem custos ao erário público, sobretudo, leis que se destinem a melhorar a dinâmica econômica do país. Neste ano de 2013, dois projetos de leis aprovados, que são a desoneração da cesta básica e o fim da multa adicional de 10% do FGTS em caso de demissão sem justa causa, foram alvos de vetos presidenciais, e agora, o Legislativo tenta reaver a sua autonomia.

Analisando do ponto de vista econômico foram duas leis bastante sensatas e corretas. Primeiro, a lei que tange à desoneração da cesta básica, é sabido que no Brasil mais de 53% da base de arrecadação se dá sob a forma de impostos indiretos, impostos estes que são regressivos, ou seja, recaem mais pesadamente sobre o contribuinte mais pobre. Sendo assim, a desoneração da cesta básica vem ao encontro de diminuir a já extensa contribuição dos mais pobres para o fisco brasileiro. Em fim, algo justo e economicamente correto, pois segundo Musgrave os objetivos da política orçamentária são:

1-assegurar o ajustamento na alocação dos recursos;
2-assegurar o ajustamento na distribuição da renda e da riqueza;
3-assegurar a estabilidade econômica;

Na mesma linha, o segundo projeto de lei vai ao encontro da tese de que o custo Brasil é elevado, principalmente em se tratando de encargos tributários sobre a folha salarial, e, pior, encargos estes que neste caso sequer irão para o trabalhador, sendo repassados diretamente ao tesouro, que já se apropria do seu imposto de renda. E, portanto, essa lei também está alinhada em assegurar a alocação eficiente de recursos, ao não distorcer ainda mais o preço relativo da mão de obra.

Mas, o Governo defende o veto sobre o pretexto de que podem causar um impacto negativo de 28 bilhões de reais, e que poderia comprometer programas como o Minha Casa, Minha Vida. Bom, programas sociais como estes são importantes para melhorar a distribuição de renda e sobre tudo distribuição de dignidade. Contudo, os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, especialmente BNDES, pularam de R$ 14 bilhões para R$ 438 bilhões. Como o Tesouro se endivida a uma taxa muito maior do que vai receber, o subsídio escondido nessa operação já é de R$ 24 bilhões por ano. Esse é o tamanho do “bolsa empresário”, que é equivalente à Bolsa Família. E o BNDES está neste momento pedindo mais empréstimos ao Tesouro.

Sendo assim, acho que o Governo prefere diminuir os programas sociais do que deixar de ajudar seus amigos que financiaram campanha como investimento, por isso, mais uma vez defendo a tese de que financiamento público de campanha deve ser feito apenas por pessoa física, pois é só ela quem vota.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O elefante e o circo e os investimentos em educação

Para cada 1 real investido, se tem como retorno R$ 4,88. Talvez uma das tarefas mais dispendiosas de um dono de circo seja treinar um elefante. O animal é extremamente forte, pesado (óbvio), come muito e difícil de lidar. Contudo, quase todo circo possui um elefante em seus números de adestramento. O porquê não é difícil de entender. O animal vive mais de 70 anos, e possui a maior memória entre os mamíferos terrestres. Portanto, a pesar do elevado custo de ensiná-lo, e de alimento e etc, o investimento inicial uma vez sendo implementado, o paquidérmico renderá 70 anos de shows impecáveis. A comparação pode parecer esdrúxula para alguns, mas o mesmo acontece ao ser humano, principalmente na primeira infância. A nossa capacidade de aprendizado é muito grande entre 2 e 5 anos, e podemos ter nossas habilidades cognitivias e socioemocionais impactadas de maneira bastante significativa. Obviamente não se faz mister que todas as crianças tenham pré-escola, mas o estimulo diário ao co...

Sólon o primeiro "inflacionista".

O comércio internacional sempre foi o motor da economia mundial. Em um mundo onde viver em comunhão é garantia de sobrevivência, os humanos passaram a definir seus territórios, plantando, colhendo e produzindo seus próprios alimentos, conseguindo com isso fundar os primeiros povoados. No entanto, assim que as primeiras cidades foram fundadas, o comércio passou a ser rotina constante, dado que nem sempre se consegue produzir tudo o que o desejo alcança. Na Atenas do séc. VI a.c., por exemplo, haviam dois grupos de produtores mais ou menos organizados, os primeiros produziam azeites e vinhos, os segundos grãos em geral, principalmente trigo. Os primeiros compravam os grãos em troca dos vinhos e azeites produzidos. Até que em um determinado momento, a produção de grãos passou a rivalizar com agricultores do leste europeu. Permitindo que os produtores de azeite passassem a importar grãos ainda mais baratos. Esse fato literalmente quebrou a dinâmica econômica dos plantadores de grão...

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Marcadores