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O Banco Central pode se preocupar com o crescimento?

Essa é uma ótima pergunta, e deve ser direcionada ao atual presidente. Este mesmo que responderá de forma afirmativo, dado sua última declaração. Entendo, no entanto, que a principal função do BACEN é zelar pela estabilidade da moeda, ou seja, combater à inflação, que em 2015 estourou a casa dos dois dígitos, contrariando uma tendência global de arrefecimento inflacionário, e andando junto com economias bastante fragilizadas da América Latina como a Argentina e Venezuela.

Além disso, o crescimento econômico é uma variável que dita o retorno sobre o investimento. Se houve crescimento, então, é sinal de que os investimentos foram profícuos. No entanto, ao se subir os juros, se provoca uma queda no investimento, o que compromete o crescimento futuro. 

Todavia, a preocupação dos impactos da subida dos juros no crescimento econômico se dá no âmbito fiscal. No lado monetário, a autoridade monetária necessita trazer ao equilíbrio a demanda por moeda junto com a oferta. E se existe muita oferta, o preço da divisa diminui, provocando desvalorização e inflação - o que de fato aconteceu durante todo o período de 2015. Além disso, na nossa história recente da adoção do Regime de Metas Inflacionárias, não se teve ainda um excesso de austeridade do BACEN, dado que nunca a inflação repousou abaixo da banda inferior da meta inflacionária, ou seja, 2.0% ao ano. Logo, os juros no Brasil parecem ter ainda uma boa margem para subir, se sua principal função é controlar á inflação.

Complementarmente, ao se pensar no crescimento, o presidente do BACEN poderia pensar na trajetória dos gastos públicos e da dívida pública, pois, como os títulos que financiam a dívida são remunerados pela taxa de juros básica, podemos hoje estar vivendo um fenômeno de dominância fiscal, uma visão tradicional deste fenômeno é fornecida pelo artigo de 1981 de Sargente & Wallace.

Logo, o BACEN deveria formalizar sua preocupação não com a falta de crescimento econômico, mas sim, com o aumento do déficit público, que pode piorar ainda mais a já enfraquecida capacidade de se controlar a inflação, comprometendo a estabilidade, e prejudicando ainda mais uma recuperação futura.

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