Pular para o conteúdo principal

À Normalidade

A despeito do coro e porque não falar em choro, desproporcional em várias medidas, dos defensores do governo da atual ex-presidente Dilma Vana Russef, de que o processo atual do seu impeachment se deu por um Golpe de Estado, se faz salutar lembrar a todos, primeiramente, o que seria e qual é a definição usual do fato: golpe se configura por uma ruptura institucional promovida pelo uso da força ou por pressão coercitiva que seja exercida, também, pelo poder da força. Logo, a primeira característica de um Golpe de Estado é a atuação de forças de fora do parlamento (senado e câmara) e, invariavelmente, um Golpe acaba por dissolver a formação antiga estas duas instituições, sendo assim, se configurando arbitral e promovendo uma ruptura completa.

Nada mais distante do retrato atual do que a tese do Golpe. Há a possibilidade de ter se cometido uma injustiça, como acontece a todo momento a qualquer brasileiro, principalmente aqueles que são submetidos a um sistema jurídico que trata de maneira desigual os que não podem pagar por sua defesa. Contudo, essa injustiça geralmente é precedida pela ausência dos dispositivos legais da ampla defesa e do contraditório. Novamente, este não foi o caso.

Além disso, durante o processo de impeachment atual, se conquistou uma mudança no rito de extrema importância para os dois lados do processo. O impeachment ocorreu, contudo, a ex-presidente não perdeu seus direitos políticos, como originalmente se propôs. Logo, com essa pequena vitória, provavelmente, o custo de rever essa decisão, incorreria no risco da perda também dos direitos políticos. O que provavelmente fará o PT rever sua estratégia antes definida de recorrer ao STF com o impedimento sendo efetivado.

A despeito do cenário montado, o encerramento desta questão traz um importante fato econômico. Uma vez que, havia uma probabilidade não desprezível de que Dilma não fosse impedida. E, assim sendo, as expectativas dos investidores teriam que trabalhar ainda com essa possibilidade, seja racionalmente, precificando através do valor esperado dos investimento em virtude dos dois cenários (com impedimento ou sem), seja também, por um fato bastante conhecido, mas pouco estudado que é a racionalidade limitada dos agentes (humanos).


As seguradoras arbitram seus ganhos exatamente pela falha humana de depositar um valor desproporcional em eventos com baixa probabilidade. Principalmente eventos de grande impacto. Como uma morte inesperada, acidentes, e etc. A volta do comando do país à Dilma, seria um evento extremamente traumático. Temer conseguiu se cercar de grandes pensadores e fazedores de economia. As ideias dessa equipe podem contribuir para que o Brasil consiga superar essa quase insuperável crise, que antes de mais nada, se dá dentro do próprio Governo, e sua situação de quase insustentabilidade fiscal.

Hoje foi dado mais um passo nessa direção, garantido mais segurança aos investidores. Mesmos estes assustados e com poucos recurso, são pedra angular do crescimento econômico, os dados do PIB trimestral apontaram um aumento residual, mas um aumento, da formação bruta de capital, o que se bem direcionada, pode indicar uma saída do Brasil da atual crise.

Obviamente muito ainda necessita ser feito. Um ajuste fiscal que garanta um compromisso de longo prazo do Estado brasileiro com a estabilidade econômica e fiscal é algo imprescindível para tal, e assim está sendo negociado. Bem como, ajustes importantes em setores como a previdência pública, as leis trabalhistas, e principalmente as políticas tributárias, principal engôdo do país, e fonte de discricionariedade, e desigualdades históricas.

Torço para o atual governo, assim como torci para o sucesso do governo deposto. A democracia precisa ser entendida não como um campo de batalha, mas principalmente, como um jogo de cooperação, em prol de um objetivo comum. O país é um barco, e querer depor seu comando, afundando o navio é sentença de morte para todos. É hora de aceitar o novo comando, e criar condições para que naveguemos para o futuro. Está dado o recado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Porte de Armas: equilíbrio pareto ineficiente

A segunda emenda americana data de 1791, ou seja, final do século 18. Nessa data, as armas existentes não passavam de 1 tiro por vez. A invenção do revolver ocorreu em 1836 por Samuel Colt. Logo, a ideia do uso de armas para proteção e utilização para fins recreativos se deu em um contexto muito diferente do atual, onde armas como metralhadoras automáticas, permitem facilmente mais de 100 disparos com uma única arma sem a necessidade de recarregar. As armas são um importante instrumento de auto-defesa. Principalmente em um contexto no qual a segurança e a vida das pessoas estão à mercê de sociopatas e criminosos. Contudo, as armas que são utilizadas para a defesa à vida, podem ser utilizadas para ceifá-la. Para se ter uma ideia, olhe em baixo o perfil de armamentos que existiam na época da liberação das armas e analise e compare com os padrões de armamentos modernos. As duas imagens mostram um contexto totalmente desconexo um do outro. Enquanto que um indivíduo armado...

Sólon o primeiro "inflacionista".

O comércio internacional sempre foi o motor da economia mundial. Em um mundo onde viver em comunhão é garantia de sobrevivência, os humanos passaram a definir seus territórios, plantando, colhendo e produzindo seus próprios alimentos, conseguindo com isso fundar os primeiros povoados. No entanto, assim que as primeiras cidades foram fundadas, o comércio passou a ser rotina constante, dado que nem sempre se consegue produzir tudo o que o desejo alcança. Na Atenas do séc. VI a.c., por exemplo, haviam dois grupos de produtores mais ou menos organizados, os primeiros produziam azeites e vinhos, os segundos grãos em geral, principalmente trigo. Os primeiros compravam os grãos em troca dos vinhos e azeites produzidos. Até que em um determinado momento, a produção de grãos passou a rivalizar com agricultores do leste europeu. Permitindo que os produtores de azeite passassem a importar grãos ainda mais baratos. Esse fato literalmente quebrou a dinâmica econômica dos plantadores de grão...

Marcadores