Pular para o conteúdo principal

Preço da Gasolina, Lei do Preço Único e Monopólio Estatal

Os defensores do monopólio estatal alegam, entre outras coisas, que a tecnologia em determinados setores favorece ganhos de escala, o que, per se, promove um processo de monopolização do setor, onde a empresa com maior capacidade produtiva, possui menores custos, e por isso, vai dominando o mercado, até que reste apenas ela. Esses tipos de setores são conhecidos como setores de monopólios naturais.

Esse fenômeno está corretíssimo, e existem fotografias de setores hoje, que operam exatamente dessa forma. Um dos exemplos é o setor de geração de energia via hidroelétricas. Não se consegue produzir um único watt sem que antes sejam investidos milhões em recursos, e o sucesso da empreitada só será garantido se se puder cobrar um preço acima do custo marginal - custo de se produzir uma unidade a mais de watt - condição esta que dista do mercado competitivo.

Logo, o coro uníssono é de que, dado tais condições, e as permissividades geradas pelo monopólio, como perda de ineficiência, além de preços acima das condições competitivas, e redução na quantidade produzida, se faz mister a entrada do estado em tais setores.



Um argumento contrário a tal intervenção - pelo menos nos moldes que vem acontecendo - é de que o monopólio natural é condição tecnológica e não do setor. E, como tal, pode ser mudado através de avanços tecnológicos, que permitam, entre outras coisas, utilizando como exemplo o setor de produção de energia, que cada unidade familiar gere sua própria energia através de painéis solares. E mais, uma vez instaurado tal monopólio, as condições que incentivariam o avanço tecnológico mudam, pois, como o monopólio é garantido por leis e não por uma condição de mercado, qualquer competição é ilegal, e, portanto, não profícua de ser perseguida.

No caso da Petrobrás, o monopólio na revenda da gasolina faz com que a empresa seja a formuladora de preços para todo o mercado brasileiro. Contudo, se analisarmos o comportamento do preço da gasolina ao longo dos últimos 5 anos e meio subiu apenas 29,54%, um comportamento bem abaixo da inflação, que acumulada no período beira os 50% - se não for maior. Contudo, o preço da gasolina nos EUA durante o mesmo período caiu 1,9%, motivado pela queda do preço do barril de petróleo que caiu em dólares de 80 para 46,21, uma queda de mais de 42%.

Percebe-se, então, que o nível de preços da gasolina no mundo, não pode ser analisado como uma fotografia que justifique um comportamento de mudança. A questão é mais complexa que isso. A Petrobrás manteve o aumento da gasolina bem abaixo da inflação, contudo, no mundo, o preço da gasolina caiu em relação ao dólar. Além disso, medidas como o aumento do percentual do etanol na mistura da gasolina, depreciação cambial, e custos de importação do óleo refinado, impactam diretamente nessa conta. Resta saber, apenas, que mesmo assim, pagamos 20% amais na gasolina do que os americanos, porém, em relação aos BRICS, nossa gasolina só não é mais barata do que a Rússia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Porte de Armas: equilíbrio pareto ineficiente

A segunda emenda americana data de 1791, ou seja, final do século 18. Nessa data, as armas existentes não passavam de 1 tiro por vez. A invenção do revolver ocorreu em 1836 por Samuel Colt. Logo, a ideia do uso de armas para proteção e utilização para fins recreativos se deu em um contexto muito diferente do atual, onde armas como metralhadoras automáticas, permitem facilmente mais de 100 disparos com uma única arma sem a necessidade de recarregar. As armas são um importante instrumento de auto-defesa. Principalmente em um contexto no qual a segurança e a vida das pessoas estão à mercê de sociopatas e criminosos. Contudo, as armas que são utilizadas para a defesa à vida, podem ser utilizadas para ceifá-la. Para se ter uma ideia, olhe em baixo o perfil de armamentos que existiam na época da liberação das armas e analise e compare com os padrões de armamentos modernos. As duas imagens mostram um contexto totalmente desconexo um do outro. Enquanto que um indivíduo armado...

Por um Federalismo de verdade

Bom.... os recentes acontecimentos e fatos mostram a dificuldade que é gerir um país como o Brasil de forma única, como se todos seus estados e entes federativos tivessem que aceitar o ponto de vista do outro. Ainda não percebi um movimento pró-federação, mas a inquietação cresce, e está na hora de colocar em prática o próprio nome de Republica Federativa do Brasil. Não dá mais para esperar que emendas constitucionais sejam cunhadas, em uma Constituição que mais parece uma colcha de retalhos de uma dinastia chinesa, cheio de emendas constitucionais sobreposta, e que, para pior, acaba fazendo com que tudo prevaleça menos a justiça. O sistema de proposta de uma emenda constitucional funciona assim:  a emenda deve ser proposta por no mínimo um terço dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado ou pelo Presidente da República ou pela maioria absoluta das assembleias Legislativas das unidades da Federação , sendo que cada uma deve manifestar-se pela maioria relativa ...

Marcadores