Pular para o conteúdo principal

CPMF, Inflação e Imposto de Renda

No texto do dia, 23 de agosto de 2013, expus alguns argumentos á favor da CPMF. Mostrando que, devido ao agravamento do déficit público seriam necessários a criação de outros instrumentos de arrecadação para sanar as contas do governo. Dentre eles, o menos danoso seria o aludido imposto.

O argumento de que a CPMF é um imposto progressivo, no entanto, ficou incompleto, deixando margens a algumas questões. Com isso quero fazer um contraponto da CPMF com o único imposto que conhecemos que apregoamos como progressivo que é o Imposto de Renda.

Primeiro, o imposto de renda é progressivo pois aumenta sua alíquota em proporção da renda. Contudo, existem mecanismos de desconto em cima da contribuição. Esses mecanismos são a peça fundamental que retira a qualidade da progressividade do imposto - fora a defasagem das suas alíquotas gerando inequidade e aumento da arrecadação via efeito tabela.

Conforme a renda aumenta e a contribuição do imposto também, eleva-se as possibilidades do indivíduo buscar abatimentos do imposto. Seja via gastos com saúde, através de recibos médicos (comprados ou não), doações, dependentes, gastos com educação, previdência privada e etc. Os instrumentos criados para o abatimento dos tributos do IR servem como via para tornar o imposto menos progressivo.


A CPMF não possui tais instrumentos. Não há como o indivíduo fugir de pagá-lo. Tão pouco foram criados instrumentos (ainda não, mas o serão, infelizmente), quer permita aos indivíduos restituírem o que pagaram de impostos. Os instrumentos fiscais que permitam o abatimento dos impostos servem, sobre tudo, a quem possui mais recursos e acesso a bons contadores. 

Além disso, fica claro que a função movimentação financeira é crescente com a renda. Logo, quem possui mais renda, movimenta mais. Um dos argumentos para que essa função seja crescente é a de que, quem possui mais renda não consome tudo o que ganha no período entre os recebimentos. Se você não concorda, e coloca que mesmo pessoas com alta renda consomem toda sua renda sem gerar poupança ou investimento, estará dizendo que impostos indiretos - que incidem sobre o consumo - são progressivos. Pelo mesmo argumento de que eles são regressivos, reside o suporte teórico para que a CPMF seja progressiva.

Para ilustrar melhor a questão, um indivíduo que não consome toda sua renda, e possui meios para poupar, ao deixar na poupança esse dinheiro (sem incidência da CPMF) estará perdendo dinheiro, uma vez que o rendimento da poupança é menor do que a inflação (esse ano). Logo, com a inflação, os indivíduos buscam investimentos que deem uma taxa de retorno maior. Ao buscar esses investimentos, existe movimentação financeira, e aí ocorre a incidência do tributo. E mais, pagar a CPMF é melhor opção do que deixar o dinheiro parado (caso a alíquota seja mesmo de 0,20% ou até 0,38%)

A inflação é o pior imposto que existe, pois tira o poder de compra do salário, e leva a aumentos de preços de forma diferenciada. Bens com menor elasticidade preço da demanda - necessidades básicas, como alimentos - possuem uma maior capacidade de transmissão inflacionária, o que gera a qualidade regressiva da inflação sobre o sistema econômico, promovendo aumento da desigualdade de renda.

Por fim, fica o convite a leitura do post de 2013  - clique aqui  http://pedrocamachosalvador.blogspot.com.br/2013/08/pela-volta-da-cpmf.html


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Porte de Armas: equilíbrio pareto ineficiente

A segunda emenda americana data de 1791, ou seja, final do século 18. Nessa data, as armas existentes não passavam de 1 tiro por vez. A invenção do revolver ocorreu em 1836 por Samuel Colt. Logo, a ideia do uso de armas para proteção e utilização para fins recreativos se deu em um contexto muito diferente do atual, onde armas como metralhadoras automáticas, permitem facilmente mais de 100 disparos com uma única arma sem a necessidade de recarregar. As armas são um importante instrumento de auto-defesa. Principalmente em um contexto no qual a segurança e a vida das pessoas estão à mercê de sociopatas e criminosos. Contudo, as armas que são utilizadas para a defesa à vida, podem ser utilizadas para ceifá-la. Para se ter uma ideia, olhe em baixo o perfil de armamentos que existiam na época da liberação das armas e analise e compare com os padrões de armamentos modernos. As duas imagens mostram um contexto totalmente desconexo um do outro. Enquanto que um indivíduo armado...

Sólon o primeiro "inflacionista".

O comércio internacional sempre foi o motor da economia mundial. Em um mundo onde viver em comunhão é garantia de sobrevivência, os humanos passaram a definir seus territórios, plantando, colhendo e produzindo seus próprios alimentos, conseguindo com isso fundar os primeiros povoados. No entanto, assim que as primeiras cidades foram fundadas, o comércio passou a ser rotina constante, dado que nem sempre se consegue produzir tudo o que o desejo alcança. Na Atenas do séc. VI a.c., por exemplo, haviam dois grupos de produtores mais ou menos organizados, os primeiros produziam azeites e vinhos, os segundos grãos em geral, principalmente trigo. Os primeiros compravam os grãos em troca dos vinhos e azeites produzidos. Até que em um determinado momento, a produção de grãos passou a rivalizar com agricultores do leste europeu. Permitindo que os produtores de azeite passassem a importar grãos ainda mais baratos. Esse fato literalmente quebrou a dinâmica econômica dos plantadores de grão...

Marcadores