Pular para o conteúdo principal

O problema do continuísmo

Historicamente, quando um determinado grupo se perpetua no poder, seus vícios sobressaem-se sobre suas virtudes. Não como manter um mesmo modelo exitoso por muito tempo, ainda mais porque, as pessoas tendem a achar que seu método é o melhor que existe, o que dificulta a evolução institucional, caso um mesmo corpo toque o projeto de maneira ininterrupta.

No Brasil tem-se um mesmo grupo no poder há 14 anos. O que isso significa? Que todas as promessas e acordos firmados para que tal fato ocorresse (a manutenção do poder) apagam qualquer boa intenção de governo e de projeto que por ventura possa vir a existir. Na prática o Governo vira um fim e não um meio de melhoria na qualidade de vida da população. A democracia perde a eficácia, e uma minoria acaba suplantando uma maioria cooptada pelo status quo das coisas. Como ninguém quer ficar de fora, mesmo a contra gosto, acabam por se prender a uma situação que a despeito de ser incômoda, já se acostumaram a mesma.

O vício do poder deve ser combatido. A reeleição também, a despeito de alguns estudos que comprovam uma melhora na qualidade das administrações, tais estudos focaram especificamente as esferas municipais, cujos controles internos e participação popular, conseguem-se valer mais eficazmente, do que em um governo de esfera federal, cuja amplitude impede que poucas pessoas sejam ouvidas, mesmo com importantes opiniões a serem dadas.

Devemos, com isso, mesmo a contragosto impedir que o vício do poder chegue a tal instância, e para tal, o rodízio é fundamental. A troca de grupos no poder evidencia os erros passados, e cria uma sugestão de criar menos sujeira para o futuro, sob pena de que o poder nunca mais retorne. Além disso, gera competitividade entre os atores políticos. Desde que foi criada a reeleição, um presidente eleito jamais perdeu a corrida presidencial. Imagine vocês alguém com uma máquina de 40% do PIB, conseguir o feito de poder para um outro qualquer reles mortal.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O elefante e o circo e os investimentos em educação

Para cada 1 real investido, se tem como retorno R$ 4,88. Talvez uma das tarefas mais dispendiosas de um dono de circo seja treinar um elefante. O animal é extremamente forte, pesado (óbvio), come muito e difícil de lidar. Contudo, quase todo circo possui um elefante em seus números de adestramento. O porquê não é difícil de entender. O animal vive mais de 70 anos, e possui a maior memória entre os mamíferos terrestres. Portanto, a pesar do elevado custo de ensiná-lo, e de alimento e etc, o investimento inicial uma vez sendo implementado, o paquidérmico renderá 70 anos de shows impecáveis. A comparação pode parecer esdrúxula para alguns, mas o mesmo acontece ao ser humano, principalmente na primeira infância. A nossa capacidade de aprendizado é muito grande entre 2 e 5 anos, e podemos ter nossas habilidades cognitivias e socioemocionais impactadas de maneira bastante significativa. Obviamente não se faz mister que todas as crianças tenham pré-escola, mas o estimulo diário ao co...

Sólon o primeiro "inflacionista".

O comércio internacional sempre foi o motor da economia mundial. Em um mundo onde viver em comunhão é garantia de sobrevivência, os humanos passaram a definir seus territórios, plantando, colhendo e produzindo seus próprios alimentos, conseguindo com isso fundar os primeiros povoados. No entanto, assim que as primeiras cidades foram fundadas, o comércio passou a ser rotina constante, dado que nem sempre se consegue produzir tudo o que o desejo alcança. Na Atenas do séc. VI a.c., por exemplo, haviam dois grupos de produtores mais ou menos organizados, os primeiros produziam azeites e vinhos, os segundos grãos em geral, principalmente trigo. Os primeiros compravam os grãos em troca dos vinhos e azeites produzidos. Até que em um determinado momento, a produção de grãos passou a rivalizar com agricultores do leste europeu. Permitindo que os produtores de azeite passassem a importar grãos ainda mais baratos. Esse fato literalmente quebrou a dinâmica econômica dos plantadores de grão...

Bolsonaro lança perfume. Mas o cheiro é da prisão. #bolsonaro #preso #st...

Bolsonaro disperdiçou a maior chance de um presidente eleito, ao não mostrar uma das poucas vantagens comparativas do Brasil, que é a vacinação, graças a política da vacina obrigatória de Osvaldo Cruz que inaugurou o séc. XX no Brasil, com a primeira e única revolta popular em terras da capital. Depois, para ter como dormir, demitiu e exonerou todos que ficaram contra a sua política, e foi fechando seu governo com puxa-sacos e pessoas sem escrúpulos próprios. Estas, são sempre os fisiologistas e com um senso de auto-proteção aguçado (traídores estão nesse grupo). Não deu outra, ao serem questionados pela PF, seu primeiro escalão abriu o bico como um sabiá na bananeira. E a banana?! vem comigo que te conto rs. disclaimer: tubnail gerada por ai com o prompt "jair bolsonaro no pé de banana com um passarinho em sua mão, cantando com a frase: ai ai ai ai, tá chegando a hora..."

Marcadores